“Exército do Lula” cai e volta no mesmo dia no TSE: veja as decisões sobre Lula e Flávio
Nunes Marques mandou suspender o canal de Janones no WhatsApp e Cueva o liberou horas depois; o caso vai ao plenário. Mendonça suspendeu anúncios pagos de Lula, e o TSE já havia mandado Flávio apagar três posts.

O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG) e com mais de 3 milhões de inscritos, foi derrubado e restabelecido no mesmo domingo (11) por decisões opostas de dois ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O caso agora vai ao plenário da Corte, a 13 dias do 2º turno entre Lula (PT, 13) e Flávio Bolsonaro (PL, 22), marcado para 25 de outubro. No mesmo fim de semana, o TSE também tomou decisões sobre anúncios pagos da campanha de Lula e já havia mandado retirar publicações de Flávio. Veja, em ordem, o que foi decidido.
O vaivém do “Exército do Lula”
- Sábado (10): o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, recebeu a ação de investigação judicial eleitoral (AIJE 0602694-73.2026.6.00.0000) movida por Flávio Bolsonaro contra Lula, Geraldo Alckmin e Janones. Flávio acusa Janones de usar o canal para coordenar “missões” de compartilhamento de conteúdos contra ele e pede, entre outros pontos, a cassação do registro ou do diploma da chapa de Lula. Cueva não concedeu as medidas urgentes: deu 72 horas para a campanha de Flávio detalhar os pedidos e 5 dias para entregar as provas digitais. Os investigados também têm 5 dias para se defender. O TSE ressaltou que receber a ação não significa reconhecer as acusações.
- Domingo (11), primeira decisão: a pedido da campanha de Flávio, feito por via administrativa à Presidência do TSE, o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, mandou suspender o canal e deu três horas para a Meta cumprir. Ele classificou o canal como “vetor de disseminação” de conteúdo falso em escala nacional.
- Domingo (11), horas depois: Cueva revogou a suspensão e restabeleceu o canal, inclusive para novas publicações e novos seguidores. Ele apontou “insuficiência de elementos probatórios” para uma restrição tão ampla e disse que publicações ilegais isoladas não justificam bloquear toda a comunicação do canal. Ficou proibido repostar conteúdos que o TSE já considerou ilegais.
- Próximo passo: Cueva levou o caso ao plenário e pediu análise preferencialmente em até 24 horas. A data depende de inclusão em pauta pela Presidência do TSE.
Anúncios pagos de Lula suspensos
Também no domingo (11), o ministro André Mendonça atendeu a pedido de Flávio e mandou a campanha de Lula suspender o impulsionamento pago, no Instagram e no Facebook, de publicações com a frase “Se Flávio Bolsonaro ganhar, você perde”. O vídeo afirma que o eleitor perderia, entre outros pontos, Farmácia Popular, reajuste do salário mínimo e dois dias de folga. Para Mendonça, a peça não apresenta propostas nem realizações e busca “estimular a rejeição” do adversário. A decisão vale só para a distribuição paga; as publicações orgânicas não foram mandadas remover, e o pedido de multa contra Lula ainda será analisado.
Publicações de Flávio retiradas
Na quinta-feira (8), o plenário do TSE, por unanimidade, mandou Flávio Bolsonaro retirar do X três publicações contra Lula (Representação 0600955-65.2026.6.00.0000), a pedido da federação liderada pelo PT. Uma delas usava inteligência artificial para mostrar Lula em situação que não aconteceu, sem o aviso obrigatório de conteúdo gerado por IA. As outras duas associavam Lula ao PCC e ao Comando Vermelho; segundo o TSE, ligar candidato a facção criminosa sem base fática mínima ultrapassa a crítica política. O prazo foi de 24 horas, sob multa diária.
Em outros três casos pedidos pela campanha de Lula, julgados no plenário virtual, o placar estava em 5 a 1 pela remoção de publicações contra o petista quando Nunes Marques pediu destaque, o que leva os processos ao plenário presencial. Até lá, vale a decisão do relator, Mendonça, que manteve os conteúdos no ar.
O que dizem as campanhas
Lula chamou a suspensão do canal de “absurda” em ato na Avenida Paulista e criticou decisões da Presidência do TSE. A defesa do petista disse que a revogação preserva a “paridade de armas”. A campanha de Flávio sustenta, na ação, que o canal foi usado para espalhar desinformação e ofensas contra o candidato e que houve uso de recursos de campanha em anúncios negativos.
O que muda para você
As decisões não mudam nada na votação: o 2º turno é em 25 de outubro, das 8h às 17h (horário de Brasília). Elas definem o que cada campanha pode publicar e impulsionar nas redes até lá. Conteúdo político feito com inteligência artificial precisa trazer aviso claro, e o eleitor pode denunciar propaganda irregular pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral.
Compare o desempenho dos dois candidatos no 1º turno, estado por estado e cidade por cidade, em Segundo turno e no Duelo eleitoral.
Fonte: TSE – Esclarecimentos antes de analisar pedidos de Flávio contra Lula e Janones (10/10)TSE – Retirada de vídeos com IA publicados por Flávio Bolsonaro (8/10)Exame – Corregedor do TSE revoga suspensão e mantém canal no arMetrópoles – Plenário do TSE decidirá futuro do canalMetrópoles – Mendonça manda Lula suspender impulsionamentoTermômetro da Política – Destaque de Nunes Marques em julgamentos virtuais
Consulta em 12/10/2026 Viu algum erro? Escreva para contato@resultadoseleicoes2026.com.br.